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Sem Deuses nem Reis - Objetivismo em Bioshock [parte I]

March 6th, 2008 · 2 Comments

A algum tempo atrás o site Kotaku.com lançou um artigo muito interessante sobre o jogo Bioshock e o Objetivismo, uma conrrente filosofica que é explorada durante o jogo. O artigo fez muito sucesso e o a alma do negócio tem o prazer de postar a tradução para a nossa língua nativa, o português. O texto é pesado e geralmente mais complexo do que estamos acostumados, então peguem um cafézinho e aproveitem. Neste post colocaremos a primeira parte da tradução, as outras partes serão colocadas assim que possível.

No god or Kings - Sem deuses nem reis
Sem deuses ou reis. Apenas o homem.

Sem Deuses nem Reis - Objetivismo em Bioshock
Escrito por Brian Crescente, traduzido e adaptado pelo blog A Alma do negócio é você.

A cidade submersa de Rapture, um mundo de estética art deco, letreiros de neon e arquitetura looming, é o lar de mais do que splicers assassinos e Big Daddys, também é um surpreendente ponto para a introspecção.

Bioshock pode ter sido concebido como um estudo em nuance, um lugar para os jogadores descobrirem e explorarem em seu próprio ritmo, mas seu aprofundamento na ética moral do objetivismo de Ayn Rand trouxe suas crenças de volta aos holofotes e até mesmo conseguiu o interesse do presidente do Instituto Ayn Rand, Yaron Brook.

“Nessa grande inversão, essa mentira ancestral que acorrentou a humanidade a um ciclo infinito de culpa e falha. Minha jornada a rapture foi meu segundo exôdo. Em 1919 eu fugi de um país que foi afundado em despotismo e insanidade. revolução Marxista simplesmente trocou uma mentira por outra. Ao invés de um homem, o Czar, sendo o dono do trabalho de todas as pessoas, todas as pessoas eram donas do trabalho de todas as pessoas. E então eu vim para a América, onde um homem pode ser dono de seu próprio trabalho. Onde um homem pode se beneficiar do brilho de sua própria mente, a força de seus próprios músculos, o poder de sua prórpia vontade.” Andrew Ryan em Bioshock.

Brook, um ex-membro da inteligência militar israelense e professor vencedor de prêmios na Universidade de Santa Clara, notou primeiramente o jogo quando viu seu filho de 18 anos jogando. Um fato que não incomodou Brook apesar da crença objetivista de seu filho e da abordagem não muito positiva do jogo sobre ela.

“Meu filho tem que achar seu próprio caminho na vida,” diz ele “Há certos jogos que não quero que ele jogue, como Grand Theft Auto, jogos que celebram a criminalidade. Mas um jogo que pode levá-lo a pensar e desafiar suas idéias, tudo bem com isso.”

“Pra minha sorte ele não concorda com o jogo, ele ainda parece acreditar no objetivismo.”

Objetivismo como um tema central de Bioshock foi na verdade o resultado da confluência de idéias e acontecimentos. O coração do jogo começou, como a maioria dos jogos de Kevin Levine, como a resposta a um problema.

“Como podemos fazer um ambiente que o jogador sinta que é realmente completo?” Disse levine.
“Foi aí que tivemos a idéia da nave espacial para System Shock (”antecessor espiritual” de Bioshock). “Em BioShock nós pensamos no que podeíamos fazer para assimilar isso e simular tão bem como pudemos com a nave espacial.”

A resposta foi uma cidade submersa, mas isso simplesmente serviu para delinear o jogo,os muros que impediam que o jogador fique se lembrando de que esta em um espaço confinado.

Levine se perguntou que tipos de pessoas poderiam viver em uma cidade submersa, o que levaria alguém a deixar o resto do mundo.

“Eu comecei a pensar em civilizações utopianas,” disse ele. Você tem essas noções tradicionais utopianas. Eu sempre fui um fã de literatura utopiana e distopiana.

“Quanto mais eu pensava em fazer um lugar convincente e um vilão convincente, percebia que alguém com um conjunto de crenças reais e concretas fazia sentido”

Entra o objetivismo. Levine disse que andou lendo os livros de Ayn Rand nos últimos anos e ficou fascinado com sua “intensidade e pureza de crença.”

“A certeza que ela tinha em suas crenças foi fascinante,” disse ele. Ela quase fala como uma super vilã, como Dr. Destino.”
E seus personagens, Levine acredita, projetam a mesma intensidade.

“Eu comecei a me perguntar, o que acontece se você para de se questionar?Aquilo se torna uma série de verdades aceitadas, ao invés de algo que você usa constantemente no laboratório da realidade.”

Leia o resto dessa parte na versao completa do post

FALHAS EM LÓGICA E CARÁTER

Onde Rand e Howard Roark de Fountainhead John Galt de Atlas Shrugged’s , Levine tinha Andrew Ryan, fundador de Rapture.

Levine disse que ele via o protagonista chefe como um encontro entre Howard Hughes e “um dos personagens de Rand se ele fosse colocado no mundo real com todos os problemas reais que as pessoas tem.”

“Os personagens de Rand são super heróis” ele disse. “Pessoas incríveis sem defeitos.”

Mas Brook diz que isso não é uma interpretação justa das crenças de Rand.

Me parece que eles intepretou mal o que Ayn Rand acredita e as idéias dela por trás do objetivismo,”. Ele está as colocando de maneira que falhem. Ele acredita, baseado no que eu lí, que qualquer sistema que seja absolutista vai acabar levando a efeitos desastrosos. Qualquer sistema de preto e branco, qualquer sistema de moralidade suprema.

“Em muitos casos isso é verdade. Mas eu acredito que a ótica do jogo é sob essa interpretação errada do objetivismo.”

Os personagens de Rand não tem defeitos porque nem todo mundo tem, ele diz, “Eu acredito que essa lógica falha porque ela acredita que todas as pessoas tem que ter defeitos, eu acredito que sob vários aspectos os livros (de Rand) colocam seus personagens na vida real.”

“Acredito que existam grandes pessoas e acredito que todos deveríamos nos esforçar para nos tornarmos grandes e perfeitos.”

É assim que o Ryan de Levine começa, um novo homem, um indivíduo incrível, mas no fim ele falha e cai.

Ryan cai, Levine diz, porque enquanto construia a utopia de Rapture ele nunca se questiona, nunca parou pra pensar se ele saiu do seu caminho. E por trair seu próprio sistema de crenças ele termina por “wanting his cake and eating it too.”

Apesar de suas falhas, Ryan ainda continua firme em seus ideais no fim, um ponto importante.
“Ele trouxe o seu fim até ele mesmo e não fugiu dele” Diz Levine. “Ele não foi um hipócrita. Ele pode ter falhado, mas ele realmente acreditou no que fez e apostou tudo por isso.

Continua…

Tags: 42 · Diversão · Jogos · comportamento

2 responses até agora.;

  • 1 Nailson // Mar 6, 2008 at 7:55 pm

    muito massa! muito doido!

  • 2 brad // Mar 9, 2008 at 12:58 am

    Muito bom, espero ler o resto do arigo logo.
    Muito legal essa do objetivismo, não conhecia essa forma de pensamento, agora vou pesquisar mais sobre o assunto.

    É muito gratificante ver um jogo que faz vc realmente se questionar, ou então procura faze-lo pensar. E é isso que fazem os grandes jogos, como FF, Silent Hill e Bioshock.

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